-Olha:
chega de melodrama e pseudo-tristeza. Dá um basta nessa história fajuta de que
você quer ficar na cama pra não ver a tristeza do mundo em que vive. Joga essa
conversa na privada, ninguém mais acredita nisso. O que você tem que fazer é sair
por aí, beijar algumas bocas, olhar algumas pernas e levantar alguns vestidos.
Fazer a barba, levantar peso, sair com os amigos. O que você tem que fazer é ir
ao shopping e comprar uma roupa nova, pedir o telefone da atendente, e dizer
que a vida é bela. Sem esforços desnecessários. É só abrir a boca, articular a
língua: a vida é bela. A vida é bela. A vida é bela. Todo mundo sabe que filmes
de romances e paixões exacerbadas são bons apenas no aconchego do sofá. O mundo
é tão grande, e tem lápis e borracha pra todo lado, então faz o seguinte: apaga
o roteiro e escreve de novo. Ou não, melhor: joga fora. Amassa, rasga,
pisoteia. Deixa tudo numa lata de lixo e segue a vida numa boa. “Não é querendo
exaltar os ânimos, mas parece até que você nunca ouviu aquela história de que
coisas ruins ficam no passado.”

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